Andando numa rua de terra, eu e mais 2 amigos. Era algum lugar no interior, andávamos com pressa, com medo de alguma coisa. Olhei pra traz, e quando voltei a olhar pra frente, me deparei com uma mulher.
Ela era um tanto velha, eu daria 45 anos. Ela me disse:
- Agora que você passou por esta rua, vai me fazer um favor.
Oferecendo-me algo embrulhado numa toalha branca ela continuou.
- Pega isso e leva rápido. Corre, corre agora, e cuidado com as corujas, elas querem comê-lo.
Eu peguei o tal embrulho, e o abri. O que eu vi aumentou muito a minha pressa. Havia no embrulho uma criança, de uns 15 cm apenas. Ela tinha minúsculos dentes, e estava devorando a própria mão.
Corri pelas ruas, passei por lugar conhecidos, e me vi em frente a um portão de tela. Entrei.
A saída era logo à direita, mais um portão de tela. Ao abri-lo olhei pra traz, e então pro alto.
Lá em cima, num poleiro, estava pousada uma coruja do tamanho de um homem, que não fez menção de atacar.
Fechei este segundo portão, e me vi parado em frente a uma ave negra, parecida com uma ema, que emitia um horrível som, como um grito sufocado. Espantei-a para traz, e vi logo a frente, outro portão.
Na metade do caminho, percebi que a negra ave se encontrava logo atrás de mim.
Parei.
Ela esticou a cabeça por sobre o meu ombro, e com o bico abriu o embrulho.
Mantive-me imóvel. A criança no embrulho já estava devorando a metade do seu braço.
A urgência voltou a me açoitar. Sem medo da ave, corri até o portão e o abri.
Estava numa casa conhecida. Estava na casa de minha tia.
Procurei por ela por todo o terreno, até que a ouvi me chamar não muito longe dali.
Corri até ela, passei por meu falecido avô, que sorridente, olhava para mim. Entreguei a criança, que já estava com os dois braços e os lábios devorados à minha tia.
Esta, dando as costas pra mim, foi-se afastando murmurando: - nunca vai ser o suficiente.Vai acabar se devorando também...
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