sábado, 25 de agosto de 2007

O pacto das águas

Eu estava parado na porta de saída de nossa casa. A não mais de 30 cm dali havia uma enorme lagoa.

Estava pescando com uma isca artificial, uma zara, que fazia movimentos de ziguezague pela superfície da água.

Após vários arremessos sem pegar nenhum peixe, comecei a trabalhar a isca logo ali na beira, para ver como era exatamente o movimento que ela fazia na água.

Meu irmão parou do meu lado e ficamos ali, olhando a isca ziguezaguear pela água.

Preparei-me para um longo arremesso, e assim que joguei a isca, ela passou por cima do telhado. Meu irmão comentou que ela não iria chegar na lagoa, e que iria cair em cima do telhado. Mas por não mais que um “por pouco” ela caiu na água.

Com alguns movimentos, liberei a linha das telhas e comecei a trabalhar a isca.

De repente, senti alguma coisa puxando a linha, e quando senti que a isca estava firme em algo, dei um puxão mais forte. Um peixe havia sido fisgado.

Uma briga se iniciou. Não sabia que peixe era, pois ele se mantinha no fundo da lagoa.

Então, ele subiu um pouco e pudemos ver que era um peixe de cores avermelhadas. Do outro lado da lagoa minha mãe gritou. È uma carpa, e tem algo atrás dela.

Vi um borbulhar na água e alguma coisa engoliu a carpa inteira, juntamente com a isca.

Continuei recolhendo a linha, e quando o animal estava perto da beira, meu irmão pulou na lagoa, ergueu o animal exausto em seus braços e o jogou para fora da lagoa.

Vimos então que se tratava de um leão-marinho.

Minha mãe gritava para não matá-lo e eu respondi:

- Não quero que este bicho continue comendo nossos peixes.

Corri para dentro de casa e peguei uma faca, quando voltei o leão-marinho havia se tornado uma criança, que aparentava ter 2 anos. Era totalmente sem pêlos ou cabelo, e branca como gesso, havia sondas em seu nariz.

Ela estava se asfixiando, sua boca abria e fechava, seus olhos viravam, procurando alguma coisa.

Minha mãe gritava, agora mais longe, de algum lugar que não podia ser vista:

- Coloque ela na água, ela precisa respirar.

Eu não queria, com medo que ela comesse os peixes, então, a peguei no colo e a levai até o banheiro, abri a torneira e coloquei seu nariz embaixo da água. Ela respirou por um tempo, então olhou para mim com gratidão, e me deu um abraço. Um abraço tão bom que o sinto até hoje.

Com ela ainda no colo, peguei o telefone, e tentei ligar para alguém que não existia. Fiquei desesperado quando a criança voltou a se asfixiar.

Enchi um copo d´água, ela enfiou o nariz dentro e respirou mais algumas vezes. Então tudo se apagou.

Do alto eu me vi com a criança no colo, no banco de traz de um carro dirigido por meu irmão. Estávamos numa auto-estrada num deserto, e o eu lá no carro, olhava com preocupação para traz, enquanto tentava acalmar a criança.

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